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ATRAVESSAMOS O RUBICO?

Prof Dr Marcelo Augusto de Felippes

 

Em março de 2020, escrevi um artigo sobre a importância da história que estávamos iniciando. Era um momento fora de qualquer similitude ao que já se conhecia ou havia vivido até então. O artigo, intitulado “ATRAVESSANDO O RUBICÃO”, fez uma referência histórica do que se passou no ano 49 a.C, ressaltando uma inesperada atitude até então jamais vista em Roma, quando o general Júlio César decidiu atravessar o rio Rubicão, infringindo a lei do Senado que proibia que um general de Roma entrasse na Itália pelo Norte. Assim, a sorte foi lançada, tendo como consequência o início do Império Romano.

 

A COVID-19 é o Rubicão de hoje. Como Júlio César, a humanidade está experimentando a mudança de hábitos, extrapolando vários limites e, em muitos casos, quebrando regras, ou tomando decisões drásticas e irreversíveis.

Embora me tornando insistente no meu pensamento e, às vezes, um pouco inconveniente pela repetição desesperada de meus argumentos, em outros artigos e durante webinares, ao longo de 2020, reiterava que os jovens deveriam ir às ruas para criar a imunidade natural. Claro que esse conhecimento não veio do acaso, mas sim de literaturas e de muito que aprendi no meu curso avançado de Transportes, realizado no Fort Eustis, Virginia, EUA, no período de 1988 e 1989.

 

Naquele março de 2020, o vírus estava iniciando a sua trajetória no Brasil e em toda a América Latina, momento em que se defrontava com outros ambientes e organismos. A decisão, inicialmente, era essa, ou seja, jovens nas ruas e comórbidos (aquele que possui mais de uma doença ao mesmo tempo) e idosos em casa, mas a justiça obrigou o governo federal a retrair e e passar essas decisões a governadores e prefeitos. Foi o início do descontrole total, com decisões das mais diversas, sem qualquer certeza técnica ou científica, e sabe o por quê? Quando vivemos uma infecção não podemos tomar qualquer antibiótico. Muitas vezes temos que fazer até mesmo antibiogramas para tomar um específico antibiótico direcionado ao problema, permitindo que o próprio sistema imunológico da pessoa doente elimine a infecção. O vírus tem essa característica também. A COVID-19 não é um qualquer. Ainda pouco se tem certeza e o que já se sabe pode mudar em pouco tempo. Definitivamente, não podemos mais pensar em lockdown como a única solução. Agora, depois do aprendizado viral, não podemos mais mandar os jovens para as ruas, porque o vírus aprendeu a atacá-los.

 

No transporte público nós temos uma técnica chamada índice de confortabilidade que pode ajudar na regulação de usuários e empresas que precisam utilizá-lo todos os dias. Este índice deve fazer parte das regras que os diferentes agentes públicos estão usando em seus decretos que limitam a transitabilidade de pessoas.

 

Outro ponto considerado importante é a seleção de frentes. O que é isso? Os militares, ao fazerem seus cursos operacionais, sabem que os meios são sempre insuficientes para as necessidades, que são quase ilimitadas no contexto do desejo humano. Portanto, diante de uma frente tão ampla para combater um inimigo em operações militares, seleciona-se uma parte que se acredita ser possível vencer, deixando as demais frentes de combate com forças apenas para manter o inimigo na mesma posição. Neste um pouco mais de um ano não houve uma seleção de frente e houve uma grande confusão de ações e normas que ora valiam e ora não valiam mais. Um completo desgoverno, causando uma imensa insegurança na sociedade e um problema econômico em alto grau. Ficou muito claro que um problema de saúde se tornou alvo de refregas políticas, com intensas e inúmeras interferências desqualificadas e dentro de achismos. Até a Constituição Federal do Brasil foi quebrada!

 

O vírus viverá mutações tantas e quantas vezes tiver oportunidade. Aprendeu a atacar os jovens. Está aprendendo outras formas de atacar. Os transportes são ambientes muito propícios para seus ataques.  

 

O vírus responsável pela Gripe Espanhola só foi conhecido na década de 1930, e a primeira vacina contra essa gripe foi fabricada somente em 1944. Com a COVID-19, o mundo agiu rapidamente e em um ano já temos vacinas que o combatem. Mas não há certeza que combaterá todas as mutações que ainda virão, assim como novos vírus que chegarão ávidos por organismos humanos. Por outro lado, os transportes não podem parar. É o sangue do organismo social. O que fazer?

 

A propagação de um vírus foi e ainda é rápida e desenfreada por todo o globo, sendo os transportes um dos principais cernes dessa indesejável transmissão e ampliação da contaminação, e é também onde a tática e a execução das campanhas de cuidados com a higiene, distanciamento social e a quarentena compulsória possam ser melhor executadas pelos órgãos governamentais e pela iniciativa privada.

 

Os transportes são elos importantes para a continuidade das operações comerciais e áreas-chave dos negócios, que estão sendo fortemente impactadas, ainda sem perspectiva de melhoras no curto prazo.

 

Os terminais de transportes, sejam portos, aeroportos, estações de trem / metrô, passagem de fronteiras ou divisas, rodoviárias são o “gargalo” e é por onde medidas preventivas e seletivas devam ser aplicadas. Canais específicos para idosos, bem como vagões de trens / metrôs, ônibus exclusivos e áreas separadas dentro de barcos, navios e outros espaços comunitários, dentro da técnica do índice de confortabilidade.

 

A partir deste momento, quando sofremos com grandes perdas humanas, o uso de máscaras deve ser compulsório e obrigatório, independente de pandemias ou endemias. Nos meios de transportes elas deverão ser sempre utilizadas, mesmo aquelas artesanais e caseiras. Durante um deslocamento ou permanência em terminais, as roupas dos transeuntes podem permanecer impregnadas por algumas horas, bem como todo metal que se tocar.

 

Os “infectologistas de sofás”, vorazes em emitirem “orientações”, mas que nem sempre são verídicas, impregnaram a sociedade com mensagem falsas nas mídias sociais. Um fenômeno surgiu: a descrença na imprensa e nas mídias sociais e digitais. Antes, o cidadão comum reconhecia a importante função da imprensa em informar, ajudando os cidadãos a compreender os muitas vezes complicados assuntos, bem como conscientizar as pessoas. Perdemos um excelente canal de conscientização. 

 

Agregando protocolos operacionais aos meios e terminais de transportes, reconquistando a confiança das pessoas por intermédio da comunicação jornalística, selecionando frentes, aplicando os índices de confortabilidade às regras, combinando tempos e espaços, muito se pode criar e inovar em processos e protocolos no combate a CONVID-19 daqui para frente no universo dos Transportes, principalmente se adotado o Projeto Passchain, que usa o SUS como plataforma.

 

Júlio Cesar atravessou o Rubicão, conquistou Roma, e iniciou o Império Romano. Infelizmente, estamos atravessando o nosso Rubicão e, como encerrei o meu artigo de um ano atrás, repito aqui: “se não tivermos a real consciência e vontade de mudar o status quo, conquistaremos um império de desprazeres, derrotas e perdas”.





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